De olho no Mercado Evangélico, Igrejas se Profissionalizam

19:30



Elaine de Jesus, dando autografo em uma loja na Conde Sazedas, São Paulo, Maior centro
comercial evangélico do país. (Foto: Portal Padom)
 Frente ao crescimento da população evangélica no Brasil, segundo recentes pesquisas, verifica-se o fortalecimento do mercado econômico que inclui novas estratégias de negócios no mercado chamado gospel, além do crescimento da corrente denominada Teologia da Prosperidade.


Um aumento considerável no número de evangélicos no Brasil foi visto no o estudo Novo Mapa das Religiões, da FGV, mostrando uma porcentagem de 20,2% da população em 2009 contra 9% em 1991.


O crescimento numérico chamou tanto a atenção das igrejas quanto da iniciativa privada.

No caso das igrejas, foram criadas estratégias de negócios que envolvem estruturas empresariais e até planos de carreira, chegando até a lançar produtos como cartões de crédito.


Além disso, com base na Teologia da Prosperidade, movimento que prega o bem-estar material do homem, muitas igrejas vêm estimulando os fiéis a abrir negócios próprios e sanar suas finanças.

De acordo com o estudo da FGV, os pentecostais são por volta de 12% da população, e respondem por 44% das doações feitas às igrejas.

“A igreja hoje é também um espaço de trocas e bens simbólicos", diz Leonildo Silveira Campos, do departamento de Ciências Sociais e Religião da Universidade Metodista.


"é voltada a pessoas cada vez menos preocupadas com questões transcendentais, e sim com o aqui e o agora. Para o novo pentecostal, o dinheiro não é para ser acumulado como previa a ética protestante, mas para comprar o carro e o apartamento novo. Para se inserir no mercado de consumo".

"Passava uma vida de miséria, comendo carcaça de frango", conta uma frequentadora da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), acrescentando que, depois que começou a assistir às "reuniões da prosperidade" semanais da igreja, "as portas começaram a se abrirem", disse ela no seu depoimento no YouTube.

Especialistas ouvidos pela BBC ressaltam que há traços de profissionalização e mercantilização também em outras religiões – só que eles estão mais evidentes nos pentecostais e neopentecostais por conta de sua exposição na mídia e do próprio crescimento dos evangélicos no Brasil.

As igrejas aproveitam o filão com produtos, que incluem cartões de crédito - emitidos pelas igrejas Internacional da Graça de Deus e Assembleia de Deus - e lançamentos constantes.

Um exemplo da pujança do mercado gospel é a rua Conde de Sarzedas, no Centro de São Paulo, que se especializou em atender consumidores cristãos. Ali, é possível comprar desde Bíblias segmentadas a CDs, jogos de tabuleiro com temas bíblicos e até pacotes de turismo para a Terra Santa.

Universal

De acordo com Ricardo Mariano, professor da PUC-RS e autor de um livro sobre a Universal, na IURD "existe quase um plano de carreira, que permite que eles passem para congregações maiores, vão para outros países e participem de programas de TV" se baterem as metas.

A Igreja Universal está estabelecida em 110 países, alcance não conseguido por nenhuma empresa multinacional brasileira. Apesar da estrutura empresarial, ninguém sabe quanto fatura a Universal, já que a igreja é isenta de impostos e não tem que abrir suas contas.


Para a construção de seu megatemplo em São Paulo, orçado em mais de R$ 350 milhões, a igreja está pedindo doações aos seus fiéis, em troca da inscrição de seus nomes em uma das 640 colunas do templo.

Os apelos por contribuições feitas na Igreja Universal beiram o constrangimento. Em um culto recente da igreja em São Paulo, o pastor exibia aos fiéis um vídeo sobre o templo, que está sendo erguido na Zona Leste da cidade e custará R$ 350 milhões.

"Os (doadores) terão seus nomes colocados nas 640 colunas do templo", diz o pastor, pouco antes de serem entregues envelopes para doações. "O bispo disse que um homem doou R$ 200 mil. Se você não pode 200 mil, pode mil, pode 500. Doe de acordo com a sua fé".

Mara Maravilha, cantora de músicas gospel e dona de uma loja deprodutos evangélicos em São Paulo, é fiel da Universal e apoia o pagamento do dízimo como forma de dar continuidade ao trabalho religioso. Para a cantora, quem não paga a contribuição está "roubando de Deus" e "se o pastor vai fazer certo ou errado (com o dinheiro), isso não cabe mais a nós".

A executiva Márcia Félix, 37, fiel da Igreja Quadrangular, tem opinião semelhante. Afirma que sua igreja incentiva seu crescimento e a realização de seus sonhos e que o eventual enriquecimento de pastores não a incomoda.

"Busco primeiro o Reino de Deus e sua justiça", argumenta a fiel evangélica. "Se tem quem rouba, é cada um com Deus".

"Algumas igrejas têm deixado o princípio de servir e viraram indústria", diz Daniel Berteli, frequentador da Conde de Sarzedas. Ele considera a visão empresarial da religião "perigosa".As informações são da BBC Brasil.


Fonte: The Christian Post

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